História

História

A região onde se localizam as cabeceiras do rio Cipó e a divisora das bacias hidrográficas do Rio Doce e do Rio São Francisco, foi descoberta na época dos bandeirantes. Antigamente eram conhecidas como a Serra da Vacaria.

Os vilarejos da serra serviam como pontos de repouso e abastecimento. Ainda hoje existem algumas das fazendas antigas  que recebem visitantes e oferece hospedagens. Nas cozinhas das fazendas encontramos uma vasta diversidade de culinária, como a produção caseira de quitandas, queijos e doces.

O trecho entre Morro do Pilar e Conceição do Mato Dentro faz parte da Estrada Real e oferece monumentos históricos, como a primeira usina de aço do Brasil (1815). A Estrada Real era o único caminho que os levava do Rio de Janeiro até a Vila do Serro Frio e Arraial do Tejuco, atuais cidades do Serro e Diamantina. Os grandes garimpos de ouro e pedras valiosas na região atraíram aventureiros e engenheiros do mundo inteiro. Com os portugueses vinham os escravos da África para trabalhar nos garimpos e nas fazendas. Até hoje se percebe a forte influência africana no sincretismo religioso e nas manifestações culturais, como na Festa do Candombe e do Congado.

Em alguns lugares se preservou a cultura e a sabedoria dos negros trazidos da África até hoje, como na comunidade do Açude ao lado da Fazenda Cipó.

 

Estrada Real:

Durante trezentos anos a Coroa portuguesa impedia a passagem direta da região das minas até o litoral no Rio de Janeiro, para evitar o contrabando de ouro e diamantes. Criou-se, assim, a chamada “Estrada Real”. Com o esgotamento das minas e a crise econômica portuguesa no fim do século XVIII, tornou-se indispensável derrubar e explorar a mata atlântica e entrar em confronto com os chamados índios “botocudos” na região da cidade de Conceição do Mato Dentro. Nesse período, chamava-se de “Botocudo” todo ajuntamento de índios, principalmente as tribos do Rio Doce e do Espírito Santo. Muitas tribos fugiram para o vale do Rio São Francisco e para o vale do Rio Mucuri.

No século XX se dizia que não havia mais índios ou que no máximo havia alguns “Botocudos” sobreviventes, como a tribo dos Maxacali. Os Maxacali saíram da região de Diamantina e do Vale do Jequitinhonha e foram para o Vale de Mucuri. Essa tribo sobreviveu a invasão portuguesa e preservou a sua própria cultura e língua até hoje, porque sempre manteve grande distância às colonizadores europeus e nunca se aculturou.

Darcy Ribeiro costumava dizer que a maior herança que o Brasil recebeu dos índios não foi propriamente o território, mas a experiência de viver em sociedade. A capacidade de viver junto, reconhecendo a territorialidade um do outro como elemento fundador, mas também da sua identidade, da sua cultura e do seu sentido de humanidade.